Do virtual à realidade, após anos.

Hoje quando me lembro, lamento tantos anos desperdiçados. Haviam-se passado dez anos desde o nosso primeiro contato. Contato virtual, graças à internet.

Era recém separada pela segunda vez, na idade do fogo. Naquela época muito pouca gente tinha acesso, e os poucos que tinham, percebia-se bom nível. Era notória a boa educação.

Foi quando encontrei Caio. Estudante de direito. Usarei um pseudônimo para preservá-lo, pois hoje encontra-se casado e tem filho. Infelizmente não guardei o histórico de nossas conversas daquela época, pois gostaria de ser o máximo fiel à realidade. De qualquer forma, nós temos a tendência a enxergar os fatos conforme nossos sentimentos e a isto serei fiel. Aos meus sentimentos.

Combinamos que ele iria à minha casa às 22hs. Chegou e ligou. Olhei pela fresta da cortina, e lá estava ele ao fone me perguntado qual apartamento. Reparei mesmo sendo noite que se tratava de um lindo loiro rapaz.

Confesso que não era, e continuo não sendo afeita a loiros. Mas Caio era um loiro diferente, charmoso, postura elegante, semblante sério. Senti naquele momento meu estômago ser esmagado, acho que era a intuição avisando-me: Foge!. E assim o fiz.

Ele relutante, sob protestos e uma rajada de perguntas, saiu sem resposta. No momento não me lembro se dei alguma desculpa e nem qual foi. Após minha segunda separação só queria me divertir, não queria apaixonar-me por ninguém, e Caio era uma ameaça ao meu querer.

Pressenti que poderia, mesmo sendo somente uma noite de sexo, envolver-me. Isto eu não queria. Ele poderia até desaparecer depois, mas eu ficaria durante um bom tempo com seu cheiro, seu gosto, seu olhar assombrando-me.

Podem me achar maluca, afinal nada aconteceu, como poderia ter certeza? Meu estômago é meu conselheiro. Nunca mais o vi no msn. Deve ter ficado super indignado, furioso mesmo. Bloqueou-me com certeza!

Agora, passados dez anos, por ironia do destino, ou por força de seu pensamento de vingança, nos encontramos. Quando digo pensamento de vingança, refiro-me simplesmente às características do signo de escorpião.

Sabidamente este é o maior vingador de todos. Tem memória de elefante, sentimento de donzela ultrajada, e persistência de homem tarado (não me ocorreu descrição melhor…rs).

Da primeira vez que nos encontramos na sala de bate-papo podia sentir, quando ele soube quem eu era, seu ressentimento. Sumiu de novo! O incrível era que mesmo eu entrando com outro nick ele sempre me achava. E sabia que era ele, pois seu nick era sempre o mesmo: Caio.

Ficamos nestes desencontros até que um dia ele resolve “ceder” e passamos a conversar de volta ao msn. Ele nunca demonstrou ter ficado magoado ou ressentido pelo fiz, mas no meu íntimo eu sentia. Falou que agora já estava formado e casado.

Trocamos algumas idéias, mas em seguida deletei-o do msn, afinal estava casado, e eu tenho por princípio não me envolver com casados, apesar de tê-lo conhecido antes disto. Entretanto, toda vez que entrava em sala de bate-papo ele vinha conversar comigo.

Princípios à parte, sou de carne e osso, dei vazão. Voltei a adicioná-lo. Ficamos um bom tempo , mas por curtos espaços de tempo, trocando mensagens. Algumas vezes nos víamos pela câmera.

Ele estava mais maduro, e ainda continuava lindo. Muito sério. Não me lembro de vê-lo sorrir, por mais que o provocasse. Eu adoro pessoas bem-humoradas, principalmente aquelas que sabem driblar um fora, e ele não era este tipo de pessoa.

Me constrangia, sentia-me burra, vulgar, devassa em decorrência do seu silêncio. Na maioria das vezes o que me restava era interpretar seu modo lacônico.

Fantasiei milhões de coisas a seu respeito. Pensei que poderia ser um enxadrista de pessoas, de que era um mestre sadomasoquista sexual, que faria tremer o pior dos cafetões. Enfim, elucubrações mil, cabia a mim preencher as lacunas.

Comecei a perceber que era eu quem furava sempre e agora analisando entendi o motivo. Não queria ser tratada como uma qualquer, destas de encontro fortuito que o acaso faz cruzar na hora da necessidade. Eu queria ser especial para ele.

E devido a seu jeito frio, impessoal, e distante de me tratar, pelo menos era assim que eu sentia, mantinha-me distante. Não tinha intenção de casar, nem namorar, mas queria ser tratada de forma especial. Mesmo que fosse uma única vez queria marcar sua lembrança.

Um dia de sábado acordei com muito tesão, inchada e dolorida, parecia que alguém tinha passado a noite me chupando. Entrei no msn e lá estava ele. Quando abrimos a câmera notei que estava diferente, cabelo bagunçado, rosto vermelho, semblante sereno. Não parecia o homem de gelo que eu teclava todas as vezes.

Perguntei o que estava fazendo e ele disse que estava vendo um filme. Perguntei porque o braço direito dele mexia, ele riu. Insisti e ele confessou que via um filme pornô.

Entendi, disse, agora sei porque está diferente, está com tesão também né? Ele argüiu, também por que? Confessei que tinha levantado com muita vontade de transar. Ele aproveitou a oportunidade e me chamou para irmos ao motel. Aceitei de pronto.

Dúvidas mil passaram pela minha cabeça. Será que ele iria mesmo? Será que me trataria como uma qualquer? Seria carinhoso? Gozaria e iria embora na hora? Torturada por estes pensamentos, e pelo tesão que me dominava, fiquei tremendo de emoção.

Finalmente chegara o dia em que me depararia com a realidade. Seria esta semelhante às fantasias? Ficou acertado que após tomarmos banho, voltaríamos ao msn para combinar o local. Tomei banho, passei óleo aromático em todo o corpo, maquiagem leve, enfim, sexy.

Entrei…ele estava off, esperei uma meia hora, e nada! Senti um gosto amargo de veneno na boca, o veneno da vingança. Vingança de 10 anos! Relevei, eu merecia. Não o bloqueei desta vez.

Passaram-se mais dois anos até que nos encontrássemos online novamente. Ele claro! Eu estava sempre lá, presente! Por incrível que pareça era de novo sábado.

E ele com aquele jeito que me fez fantasiar vários encontros. Meigo, doce, lábios vermelhos, semblante sereno. Fiquei na minha, ele nada disse sobre o bolo que me deu, eu não perguntei. Convidou-me, eu aceitei. Ele foi.

Chegou primeiro, me ligou e disse o quarto em que se encontrava. Coloquei uma capa por cima da mini camisola e fui a seu encontro. Sem calcinha ou sutiã, mal calcei uma sandália.

Quando cheguei, ele estava somente de box. Corpo elegantemente sarado, nas suas devidas, proporções. A cueca branca deixava transparecer suas emoções. Seu rosto , vermelho.

Quando veio a meu encontro, com uma taça de vinho na mão, pude sentir o calor exalar de seu corpo. Ofereceu-me a taça, puxou-me levemente e me beijou. Eu bambeei as pernas. Meu coração parecia querer saltar da boca.

Ele sentiu, desceu o ouvido para meu peito e sorriu. Sorrateiramente, deslizou meu casaco para o chão. E sua boca agora procurava meus seios. Pele macia, lábios marotos, boca quente, língua molhada.

O bico do meu seio enrijeceu, os seios como um todo intumesceram. Respirei fundo. Mal conseguia manter a taça nas mãos, as pernas titubearam. Com sua boca colada fazendo círculos com sua língua grossa, me conduziu à cama.

Quando deitou-se sobre mim, olhou-me intensamente, parecia querer desvendar-me, e assim olhando foi me penetrando devagar, estava atento as minhas reações, alternava com beijos, senti-me molhar.

Tentei pegar em sua cintura com o intuito de fazê-lo adentrar, rapidamente segurou meus braços e prendeu-os ao lado da minha cabeça com suas mãos fortes, pressionou seus quadris contra os meus.

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Seguiu com a tortura deliciosa de penetrar-me lentamente, mal entrando, retirava-se, sem, contudo sair. Meu corpo vibrava, meu interior vibrava, como se enguias elétricas volteassem por todo o meu ser.

Seu membro tornou-se mais presente, seus beijos mais fortes, sua língua engrossava, e me tomava a boca toda. A penetração aprofundou-se, o beijo deu lugar ao olhar admirador. Fechei meus olhos e gemi, finalmente podia gemer, mas gemi baixinho.

Queria que ele se mantivesse no controle, comecei a gostar da tortura manipulativa, entrei no jogo. Ele pediu que eu abrisse os olhos, não abri. Parou de mexer-se, simulou sair. Espreitei. Seus olhos brilhavam, seu rosto enrubescido trazia carnudos lábios cor carmim.

Passei minha língua sobre meus lábios, ele passou a fazer o mesmo. Enquanto brincávamos com nossas línguas o movimento continuou. Àquela altura, eu queria explodir, gritar, unhar. Contive, sabia que era esta sua vontade, mas não me submeteria enquanto eu não sentisse a recíproca.

Meu gozo seria para ele um trunfo. O trunfo de quem sabe provocar sem contudo esmorecer. Agora seu membro intumescido, tendo chegado na parte mais profunda de mim, parava pulsando. Minha borboleta simulava um leve e estremecido vibrar de asas. Ele sorriu. Beijou-me forte, enfiando sua língua, simulando penetração.

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Seu pau mantinha-se parado, latejando. Nossa… Minhas entranhas pegavam fogo, sentia que minha xota estava absurdamente inchada e ardida. Aquele ardido gostoso que precede o orgasmo.

Seu membro pousado fundo no meu interior e sua língua numa dança voluptuosa a explorar minha boca… caralhoooo..não sou de ferro…..a força do meu gozo liberou meus braços, minhas mãos grudaram na sua cintura, minhas unhas enterraram na sua carne. Puxei este homem com a força do meu tesão, e mexi alucinadamente. Gritei, urrei, mordi seu pescoço.

“Caralhooo Caio!…Me fode!…Mais forte!….Me atravessa!! Putaaaa merdaaaa, enterra!”

Não sei em que parte das minhas súplicas eu o dobrei, recebi o que implorava. O que já estava duro virou aço, seu corpo incandescente. Arqueou o dorso, fazendo nossas cinturas colarem-se ainda mais . Soltou um gemido longo…

“Aaaahhhhh…Queria caralho? Implora… toma… mexe… mexe gostosa…tá gostoso… tá?… pede porra… pede… Aaaahhhhh… huuummm….uuuuhhh…..”

Explodi de prazer e felicidade, enfim sentia sua parte humana debaixo daquela máscara de ferro. Éramos feitos da mesma matéria, carne e sentimento. Senti-me realizada.

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